A difícil questão de fingir o orgasmo
A difícil questão de fingir o orgasmo
Cerca de 10 a 15% das mulheres fingem o orgasmo, segundo variadas pesquisas nacionais. E hoje há homens que fingem também! Como, por que e para que as pessoas ainda fazem isso? E será que dá para virar esse jogo e viver o sexo com mais prazer?
Questões como essas são bem delicadas e complexas, mas vale a pena buscar respostas. A começar por entender o que leva as pessoas a fingirem. Aqui dois principais fatores chamam a atenção:
1) O MEDO DE SER DIFERENTE: “Será que eu sou normal?”, “O que há de errado comigo?”, “Por que tenho esse defeito?”. Perguntas desse tipo são frequentes na cabeça de homens e especialmente das mulheres com dificuldade para chegar ao orgasmo. Fingir, para uma grande parcela, aparece como uma forma de não se destacar do grupo que seria das “pessoas normais”. Na verdade, isso é uma grande bobagem: não existe gente no mundo que é perfeita e que nunca tem dificuldades em área alguma da vida. O ser humano falha mesmo, repito sempre isso nas nossas colunas e nas palestras que faço pelo Brasil afora. E isso sim é que é ser uma “pessoa normal”!
2) O DESEJO DE AGRADAR: É bastante comum nos dias atuais as mulheres e os homens viverem uma dinâmica de cobranças em relação a si mesmos e a quem está ao lado. Na maioria das vezes, isso é motivado pelo desejo de ter sucesso em tudo o que faz, e de agradar sempre. Mas isso é impossível, não é mesmo? A gente não acerta tudo na vida, nem agrada a todas as pessoas ao nosso redor. É preciso se lembrar disso sempre. Mas o mais frequente é nos cobrarmos excelência no desempenho o tempo todo. E essa dinâmica também aparece nas questões do orgasmo: por querer se sair maravilhosamente bem no amor e no sexo e não desagradar o parceiro ou a parceira de jeito algum, muitas vezes, a pessoa opta por fingir que está se excitando e chegando ao tão desejado orgasmo.
Hoje, homens e mulheres de variadas idades enfrentam essa dificuldade. As mulheres que fingem encontram maior facilidade que os homens para fazer de conta que rolou o orgasmo. Já os homens muitas vezes apostam em artifícios como tirar a camisinha rapidamente ao final da transa, fingindo que houve uma ejaculação e o clímax de prazer.
É muito dolorido e difícil lidar com isso. No entanto, fingir orgasmo ou qualquer outra sensação erótica não parece ser a atitude mais adequada para uma vida sexual saudável e de fato prazerosa. O melhor seria abrir o jogo, em especial para si: a partir do momento em que a pessoa se conscientiza da dificuldade de atingir o clímax, fica mais fácil encontrar o caminho para lidar com essa complicada questão.
O próximo passo é procurar um especialista. Como as principais causas da dificuldade de orgasmo são emocionais, o profissional mais indicado para tratamento é o psicólogo. Ele investigará quais são as questões e os medos que podem, por exemplo, martelar a cabeça durante a transa, fazendo com que o prazer vá embora.
Vale também uma visita dos homens ao médico urologista e das mulheres ao ginecologista. O motivo: é importante verificar como anda a parte física e a saúde sexual como um todo.
Preocupações das mais variadas, medos, ansiedades, cobranças e tudo o mais que afasta o prazer podem levar às dificuldades de orgasmo. Uma dica para começar a lidar com isso é lembrar que ninguém nasce sabendo tudo sobre sexo. Na verdade, erotismo e vida sexual têm mais a ver com a questão do aprendizado: é importante o homem e a mulher conhecerem bem o próprio corpo, bem como suas emoções e sentimentos em torno das relações amorosas e sexuais, para descobrir quais são de verdade os seus jeitos de sentir mais e mais prazer.
Não é fácil fazer todas as coisas que conversamos hoje aqui, sabemos todos. Envolve boas doses de coragem para enfrentar suas dificuldades, além de muita calma e de persistência para seguir as variadas sugestões e o tratamento com os especialistas. Mas certamente vale a pena tentar virar esse jogo a favor do próprio prazer. Você não acha?